A empresa Elma Chips e a agência de publicidade Cia de Cinema lançaram um novo comercial para o salgadinhos Doritos: Quatro rapazes escutam a clássica música Y.M.C.A. (que é considerado um hino gay, entoado pelo Village People, uma banda “alegre”, digamos assim) até que um acaba “se animando demais”, o que causa estranhamento nos outros.
Não demorou muito para que alguns blogs e twitteiros, em especial o Celso Dossi, acusassem o comercial, e, por tabela, a empresa e a agência, de estarem descriminando os homossexuais (porque temos que usar o termo politicamente correto, não?), chegando a pedir um boicote ao produto, o que certamente levará a Elma Chips à falência, como ocorreu com a Coca-Cola em 2003. O comercial seria grosseiro. Mas para quem?
Os Homossexuais, como diversas minorias (negros, judeus, nordestinos, políticos honestos) travaram (e ainda travam) uma grande luta para demolir o preconceito de uma sociedade que foi, moral e religiosamente, ensinada a odiar o diferente. Não apenas a diferença de escolha sexual, mas tudo o que represente uma desconformidade com o status quo predominante. Luta justa e que deve ser aplaudida, ainda mais porque está conseguindo frutos (Harvey Milk hoje é aplaudido – em sua biografia nos cinemas – por uma luta que era abominada há trinta anos).
O problema é que isto gerou a famigerada patrulha do politicamente correto: não se pode nem fazer uma menção aos homossexuais que não esteja de acordo com seus parâmetros de certo e errado. Em vez de tentarem integrar-se à sociedade, uma sociedade que não seria marcada pelas diferenças grupais, mas por características de cada indivíduo, esse grupo, os xiitas cor-de-rosa (pois acredito que não seja a totalidade dos homossexuais tão alarmista), que se ressente de qualquer comentário (prejudicial ou não), acaba criando um grupo destacado, os homossexuais, que não devem ser tratados como iguais, mas como micos-leões-dourados em extinção. Resultado? Ajudam aqueles que têm preconceito.).
O comercial do Doritos não tenta minimizar um grupo à parte. Ele ri de um estereótipo. Como Big Bang Theory ri dos nerds, Two And a Half Man ri dos solteirões, Toma Lá Dá Cá ri das famílias disfuncionais. E nerds, solteirões e famílias não se voltaram contra os programas. Eles riem e refletem sobre esses espelhos distorcidos. Os ingleses são os campeões da piada autodepreciativa, e é assim que aprendem a conviver com suas diferenças e seus defeitos. Por que os brasileiros não podem fazer a mesma coisa, sejam eles negros, homossexuais, nordestinos, paulistas, pobres, ricos…? Isto sim, é um puta de um retrocesso.
março 13, 2009 às 8:38 pm |
Poisé. Mas ainda bem que nerds, solteirões e famílias disfuncionais não são organizados politicamente… O que não anula o fato de que apelar pra palavrinha ou dancinha errada na briga por uma integração social mais bacana, não só é um bocado autoritário como não funciona mesmo. Lembra da cartilha do politicamente correto que graçasadeus o Lula suspendeu? Não podia homossexual, preto, anão, comunista, beata, baianada e o meu preferido: funcionário público(???). É, a gente devia aprender com os ingleses… por enquanto eu me contento com Katylene.